09/07/2007 15:27
Olá,

Estou invadindo o gabinete pastoral (rsrs) para falar de um assunto, que as pessoas que me conhecem bem de meus outros espaços, sabe o quanto me incomoda - A adoração genuína, sem irreverência, racional... Vamos lá?


Adoração que agrada a Deus

Introdução

As freqüentes mudanças nas práticas e formas da adoração nas igrejas evangélicas brasileiras devem nos preocupar e muito. Haveria respostas bíblicas para as seguintes perguntas? Por que será que as mudanças das formas tradicionais de adorar invadiram os cultos das igrejas como um Tsunami? Por que a maioria dos pastores abraçou estas modificações e diversidade com tantas rapidez e facilidade? Quais destas mudanças foram boas, positivas e benéficas? Quais não prometem melhorar os cultos mas piorá-los?

Muitas outras perguntas devem ser levantadas e respondidas diante da questão primordial: como será que Deus aprecia estas mudanças? A ignorância e a falta de reflexão teológica e bíblica serão capazes de deturpar de tal forma o culto que pouco restará que poderemos reconhecer como cristão? A história da igreja após o imperador Constantino, que legitimou o cristianismo no império romano (século 4º), mostra a influência da cultura pagã e a carência da orientação bíblica no culto. A tradição cresceu de tal modo que chegou a dominar o culto e tornou a Reforma necessária. Entre os protestantes e evangélicos, a norma de Sola Scriptura tomou seu lugar entre os três fundamentos da doutrina ensinada nas igrejas reformadas e evangélicas – Sola Gratia, Sola Fidei. Hoje, o perigo principal que as igrejas brasileiras enfrentam se resume numa carência do conhecimento das Escrituras.
1. Definição
Jesus explicou para a mulher samaritana que adorar a Deus do modo que Ele quer significa adora-lo em espírito e em verdade. Paulo entende a adoração como resultado do propósito da criação. Todas as coisas são de Deus, vieram a existir por Seu intermédio e para Ele (Rm 11.36). Que Ele receba toda a glória para sempre e é a razão do culto. Exorta Paulo: “Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1 Co 10.31). Todo o culto deve focar este propósito.
Jesus disse que a busca do reino em primeiro lugar juntamente com Sua justiça seria o caminho a tomar se desejamos cultuar a Deus de acordo com Seu propósito. Isto quer dizer que adorar significa servir (latreuo) o Deus que amamos de todo o coração, de todo o entendimento, toda a alma e de todas as forças (Mc 12.0), bem como amar o próximo como a nós mesmos (v.31). Adorar, portanto, seria a maneira bíblica de mostrar nosso amor pelo Senhor e testemunhar nosso compromisso com Ele. Como no caso do casal que contrata o matrimônio declarando seu amor até que a morte os separe, adoração expressa o amor que existe no coração da noiva (a igreja para com seu Noivo, Jesus Cristo.
2. A centralidade do conhecimento
Cultuar em espírito e em verdade requer conhecimento (Jô 4.22). Claramente, a falta de conhecimento da revelação divina nas Escrituras e ignorância dos propósitos bíblicos para o culto abre a porta para expressões que discordam da razão pela qual Deus nos criou. Sem fé é impossível agradar a Deus (Hb 11.6).Desconhecer como adorar dignamente cria uma barreira intransponível para agradar a Deus.
Nunca houve uma época em que a proliferação de literatura, venda de Bíblias e livros, cultos, reuniões e congressos evangélicos, foi tão numerosa e expressiva como nos dias atuais. Segundo o apóstolo Paulo, os últimos tempos serão caracterizados por pessoas que estão sempre aprendendo e jamais conseguem chegar ao conhecimento da verdade (2 Tm 3.7).
Quais são as falhas da grande maioria dos cristãos hoje que afetam a maneira de cultuar a Deus? Que se pode esperar dos crentes que ocupam seus lugares nos bancos das igrejas evangélicas brasileiras quando se trata do conhecimento de Deus?

3. A natureza de Deus
Jesus declarou que Deus é Espírito e que os verdadeiros adoradores devem adorá-lo em espírito e em verdade (Jô 4.23). Parece-me que não é comum planejar o culto com a intenção de adorar em espírito (ou Espírito). Paulo escreveu para os filipenses que “nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos pelo espírito em Cristo Jesus e não temos confiança alguma na carne” (3.3). Contrastada com a adoração judaica, a circuncisão falsa, este versículo ensina que adoração somente será aceitável a Deus se for oferecida em cooperação com o Espírito Santo. Como não sabemos orar se não conseguimos ajuda do espírito (Rm 8.26), também não temos capacidade para em nós mesmos adorar. Cultuar sem este auxílio resulta em adoração falha e inaceitável;.Torna-se carnal e mundana, como o culto imaturo dos coríntios (1Co 3.1,3; 13.1-3).
“Deixem-se encher pelo espírito”, escreveu Paulo, para que a adoração seja genuína. Esta incluiria “falar entre si com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e louvando de coração ao Senhor, dando graças constantemente a Deus Pai por todas as coisas, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Ef 5.18-20). Mas isto somente será possível se o Espírito de Deus estiver movendo e incentivando-nos a cultuar e a gozar da comunhão com os irmãos da igreja por meio da música e palavras que exalam amor pelo Senhor. Por isso, a Escritura firma que o fruto do Espírito é amor e alegria.
O indicador que avalia a adoração no espírito se mostra no efeito produzido pelos cultos Deus espera comunicação amorosa, louvor e gratidão genuinamente emanando do coração, e não apenas cânticos dos alto falantes ensurdecedores e mensagens preparadas {às pressas sem muita oração. Um culto, que não promove crescimento do amor pelo Senhor e pelos irmãos, falha porque não alcança o seu propósito. Essa adoração não é “no” e nem “pelo” Espírito, portanto, não é a adoração que Deus busca, sabendo que o fruto do Espírito não é outro senão amor. Jesus disse dos seus contemporâneos: “Este povo que me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram...” (Mc 7.6-7).
Semelhantemente, Paulo lembra aos efésios de sua oração em que pede que, “segundo as suas gloriosas riquezas, ele os fortaleça no íntimo do seu ser com poder, por meio do seu Espírito, para que Cristo habite no coração de vocês mediante a fé” (Ef 3.216-17). Novamente, notamos que, pela atuação poderosa do espírito, será possível reproduzir a presença ampla e profunda de Cristo na vida e prática dos irmãos. Desse modo, eles poderão compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que eles possam ficar cheios de toda a plenitude de Deus(v. 18.19). Culto em espírito e em verdade cria a realidade que Deus busca, isto é, adoração que transforma crentes na imagem de Cristo (Rm 8.29, Cl 3.10).

Aproveitando este gancho – crentes transformados durante o culto na imagem de Cristo – fico triste. Como podemos imaginar Cristo gritando a plenos pulmões nos cultos, repetindo exaustivamente as mesmas coisas durante todo o culto e pior, pulando, num pula-pula sem o menor sentido espiritual, imagine bíblico???

4. Adoração real requer a presença de Deus
Uma outra maneira que o Novo Testamento descreve o culto agradável a Deus se caracteriza pela presença de Deus no meio do seu povo, Paulo contrasta o culto em Corinto em que todos falavam em “línguas” com aquele culto em que todos profetizavam. O efeito de todos ficarem convencidos que são pecadores e por todos serem julgados, mostra que o Senhor está agindo no meio da congregação. “...Os segredos do seu coração serão expostos. Assim, ele se prostrará, rosto em terra, e adorará a Deus, exclamando: “Deus realmente está entre vocês” (1Co 14.23,24).

Concluímos que uma maneira de verificar que Deus está no meio dos seus filhos reunidos para cultuá-lo se descobre na profundidade da convicção do pecado. O sentimento de culpa, quando ela existe, deve ser acirrado, não abafado ou diminuído. Se o culto não aumenta o temor de Deus como podemos esperar que os adoradores se purifiquem de tudo que contamina o corpo e o espírito e se aperfeiçoam na santidade? (2 Co 7.1).
Quando Isaías viu o Senhor assentado num trono, alto e exaltado, ele reagiu com um profundo sentimento de sua impureza. Seus lábios eram contaminados com palavras torpes, sem a pureza e santidade que os serafins continuamente declaravam. Sua reação foi de exclamar: “Ai de mim! Estou perdido!” (Is 6.5). Sentia que deveria ser destruído, condenado pela sua perversão verbal. A majestosa grandeza, Sua santidade e absoluta separação de tudo que profana Sua pessoa, inundou o espírito do profeta.
São raras as vezes que os membros da igreja reunida são pasmados com a presença real de Deus. É muito mais comum ficar tão conscientes dos jovens que lideram a adoração e a maneira que tocam seus violões e bateria (argh!!!), que não têm espaço na mente e nem motivação para refletir na pessoa para quem a adoração é oferecida. Porque foi que somente ao sumo sacerdote foi permitido entrar no santíssimo lugar com sangue uma vez por ano? Foi para pôr em relevo a santidade de Deus e sua separação de todo pecado.

Adoradores do século 21 precisam ser continuamente relembrados da necessidade de oferecer uma qualidade de culto que Deus procura. Cultos que apresentam “show”, que têm o objetivo principal de entreter o auditório, raras vezes agradam a Deus, estejam certos disso. Se o apelo do culto é dirigido aos homens, e não se centraliza em Deus, tem pouca chance de cumprir o seu propósito bíblico. À medida que buscamos a explicação bíblica para a maneira de adorar que glorifica a Deus, afastaremos a ignorância e a carnalidade que rapidamente avançam para dominar o culto.

5. O culto racional de Romanos 12
Paulo apela aos cristãos de Roma para que ofereçam seus corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional ou espiritual que Deus deseja (Rm 12.1)> Sacrificar o corpo não se refere ao martírio, nem a atos de autoflagelação no estilo dos monges da Idade Média. Deve ser um culto em que dedicamos nossa pessoa completamente ao seu dono. Foi ele que nos redimiu com seu sangue; fomos comprados por alto preço (1 Co 6.20), de maneira que não somos donos de nós mesmos. Somos como os escravos do primeiro século que não tinham direitos legais. Se o dono do escravo decidisse matar o seu escravo, este não tinha qualquer possibilidade de recorrer à justiça. Se estamos convictos que Jesus é realmente o Senhor, Ele tem direitos sobre nós.

O culto reforça a verdade que o cristão abriu mão do direito de posse do seu corpo. Como membro do corpo de Cristo, sua responsabilidade é de servir (grego, latreuo, veja a palavra latreian, “culto”, “serviço”, em Romanos 12.1).

Não são apenas pastores e missionários que devem oferecer seus corpos como sacrifícios vivos. Deus apela para todos os cristãos. A lista dos dons neste primeiro parágrafo de Romanos 12.6-8, inclui profetas, servos ou ministros (diakonoi), mestres (incluindo pastores – Efésios 4.11), encorajadores (parakletoi), contribuintes de valores, líderes e os que exercem misericórdia.

Paulo ensinou que todo membro do corpo de cristo tem um ministério que faz parte do seu culto espiritual. Por isso, os que participam dos cultos devem concentrar na instrução fundamental para que cada membro cumpra sua função no corpo. É possível que os membros da igreja não estejam conscientes de ter um ministério sacerdotal. O culto serve para remediar esta falta.

Paulo era um ministro – “leitourgos” (a raiz da palavra, liturgia) – “de Cristo Jesus para os gentios, com o dever de proclamar o evangelho de Deus, para que os gentios se tornem uma oferta aceitável a Deus. Santificados pelo espírito Santo” (Rm 15.216). Todos devem cumprir seu ministério de discipular cristãos mais novos na fé como serviço prestado a Deus, como um ato de cultuar. Nesse discipulado haverá uma ênfase necessária na adoração em espírito e em verdade. A exaltação de Deus, por meio de expressões de gratidão e louvor, deve marcar os corações de todos os que adoram.

6. O sincretismo ameaça o culto genuíno

Todos estamos sujeitos às influências da cultura a que pertencemos ou adotamos. Ninguém escapa do ambiente em que absorve como uma esponja chupa água lamacenta. O Brasil tem a fama de ser o paio onde o carnaval tem mais destaque. Milhões de reais se despejam nesse buraco negro que transmite a visão de festa e libertinagem, genaralizadas. São dias para extasiar a visão: beleza de enfeites, de aparências, de cores e atração física sexual. Não deve surpreender a ninguém que os dias do carnaval são dominados pelos pecados da carne.

A mesma cultura que nutre o carnaval motiva o culto. Espiritualidade não parece ser uma realidade altamente valorizada, enquanto um ambiente de festa empolga. A dificuldade que esta relidade cria, naturalmente, fomenta a importância de práticas que não condizem com a reverência e a seriedade. As guitarras, violões, dançarinas, movimentação dos corpos (argh!), comunica entusiasmo e participação, mas não reflexão. Meditação e auto-exame se experimentam melhor em momentos mais quietos e pensativos, incentivados por palavras inspiradas e desafiantes (Sl 139.23,14).

Conclusão

Adoração tem a finalidade de glorificar a Deus. A pessoa que diante da grande complexidade da criação, diante da maravilhosa graça salvadora, não glorifica a Deus e nem lhe rende graças, é indesculpável (Rm 1.21). Mas pecadores, inclusive os que crêem no Senhor Jesus Cristo, têm forte inclinação para buscar sua própria glória. As conseqüências aparecem em nossos cultos que apresentam música e comentários que são mais notáveis pela força do som e ritmos agitados e completamente mundanos das melodias geralmente não-bíblicas, do que a grandeza e a santidade de Deus. O teor das palavras normalmente fica enterrado. No “louvor” em que não é possível ouvir a si mesmo e muito menos os que não têm um microfone na mão, a mensagem cantada freqüentemente esvanece.

O culto, que reserva pouquíssimo tempo para a exposição da Palavra de Deus, não expressa o modelo da igreja primitiva. Lucas relata que os milhares de novos convertidos no dia de pentecostes se “dedicavam ao ensino dos apóstolos, e à comunhão, ao partir do pão e às orações” (Ar 2.42). Pela Palavra pregada no poder do Espírito de Deus, se escuta Deus falando e a resposta natural é adoração”: “Minha alma se gloriará no Senhor... Proclamem a grandeza do Senhor comigo, juntos exaltemos o seu nome” (Sl 34.2,3).

As inovações devem ser avaliadas dignamente, ser absorvido numa experiência de profundo amor e admiração, raras vezes é o alvo claro e explícito do culto. Talvez, pensando mais sobre os textos apresentados e outros, especialmente nos salmos, nos levariam a uma adoração mais digna. Não devemos esquecer que o culto se oferece a Deus, não aos homens. Que Deus seja o centro, a meta e o destino de todos que se aproximam dEle!

E não se esqueça. Este espaço é para você que está com problemas e dúvidas espirituais ou não. Escolha um dos pastores e tire suas dúvidas. Este espaço é seu, ok?

A paz do Senhor a todos!




enviada por Edi Suely






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